segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Empreendedorismo Social: Pesquisa, Sonho e Realização. Por Edson Marques Oliveira

A maior parte dos estudos sobre empreendedorismo apontam a capacidade de sonhar e realizar como sendo sua essência, o que demanda a capacidade de planejar, que remete a necessidade de levantamento de dados e informação e, portanto,  de muita pesquisa.

Com o empreendedorismo social não é diferente, é o que venho constatando em minha prática e vivencia profissional, o que permite afirmar que a essência do empreendedorismo social na atualidade é ser capaz de pesquisar sem ser enfadonho e estéril, e transformar esse conhecimento, em possibilidades concretas de desenhar sonhos que podem ser exigíveis e resultem em condições palpáveis. Essa ideia tem apresentado através da metáfora da lagarta que se transforma em borboleta.

No empreendedorismo social a ideia tem que ser inovadora, é a fase lagarta, ela tem que sair da cabeça, ir para o papel e se tornar real. Ai vem a segunda fase do processo, pois a ideia passa por aperfeiçoamentos, melhorias, é o momento casulo.  Desse momento de experimentação, de aprendizado, emerge a maior característica das ações de empreendedorismo social, por ser inovadora e ter passado por aperfeiçoamento ele pode ser replicada, é a fase borboleta.

Um dos exemplos mais exemplares que venho acompanhando da aplicação desse processo é  Coopermesa – Cooperativa de Mulheres Empreendedoras Sociais em Ação da cidade de Toledo-PR, de mulheres em risco e vulnerabilidade social. Essa experiência prática da aplicação de todos os elementos apresentados anteriormente surge através do projeto de extensão denominado de Projeto Casulo Sócio-tecnológico, curso de Serviço Social da Unioeste, campus de Toledo-PR. Numa das ações, de incubadora de tecnologia social e empreendimentos sociais onde a pesquisa de uma aluna detectou que um número significativo de alunos de uma escola pública, eram de famílias que tinham como chefe de família as mães, e na sua grande maioria com atividades informais e de baixa renda.

Após um trabalho de capacitação de gestão de empreendimentos sociais, de pesquisa de mercado, elaboração de plano de negócio social, se criou a Coopermesa, isso ocorreu num espaço de 12 meses, e a cooperativa já existe a três anos. Tem parceria com várias organizações, entre elas o Correio, que fornece malotes usados para serem reaproveitados para confecção de bolsas de eventos, o que se tornou um dos principais produtos da Coopermesa. Entre os muitos clientes, recentemente entregaram um lote com mais de 2.000 bolsas para um evento de meio ambiente organizado pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu-PR. Hoje elas estão enfrentando outros problemas, falta de espaço, ampliação da clientela, necessidade de ampliar o quadro de cooperadas qualificadas, entre outros inerentes de um empreendimento marcado pela solidariedade, consumo ecologicamente correto e pelo espírito cooperativo e empreendedor. Mostrando que a essência do empreendedorismo social na era do conhecimento é a pesquisa, a sistematização humanizada e a inovação no campo da gestão social, onde  homens e a mulheres em busca de sentido para suas vidas, estão fazendo diferença, dispensando a caridade, a filantropia e o assistencialismo que ferem, pois não transformam a realidade e vida das pessoas, essa é a marca do empreendedorismo social no século XXI. 


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Um comentário:

Sissym disse...

Recebi o convite para ler este post, para mim foi muito bom. O blog tem muitas informações, voltarei para ler mais matérias.

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