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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Construindo Pontes. 10 PASSOS DO AQUÁRIO (emprego) PARA O OCEANO (trabalho)


“Você pulou do aquário ou arrebentou o aquário?”, me perguntou certa vez um Diretor de RH de uma grande empresa.
“Quer dizer que existe vida fora das empresas?”, ouvi de outro, este último ligado a uma instituição financeira.
As reflexões que fizemos levaram-me a pensar mais sobre essa questão que é bem pertinente, não só à minha geração, bem como daqueles que estão chegando ao mercado de trabalho.
Costumo dizer em conversas e palestras, que somos uma “geração meio”, ou seja, já não estamos na geração dos nossos pais (aquela em que o sonho de consumo era um emprego no Banco do Brasil ou Petrobrás, ou mesmo um emprego público e aposentadoria garantida), visualizamos um futuro com o olhar dos nossos filhos (a geração do trabalho e não mais do emprego) e ficamos dessa forma: a cabeça no passado, o olhar no futuro e o presente em constante mutação...
Certa vez, entrei em um banco e vi um folder, desses para divulgação de produtos, com uma imagem que me chamou a atenção (recortei e coloquei numa moldura).
Nela, um pequeno peixe, dentro de um aquário, avistava com olhar fixo, através da janela, um imenso oceano...
Em outra oportunidade, recebi um amigo, Gerente de Banco, no meu escritório e ele questionava uma decisão que pensava em tomar: mostrei-lhe o quadro e pedi que refletisse em cima da imagem.
O que desejava naquele momento? Segurança e conforto ou risco e liberdade?
E percebo em visitas a empresas e conversas com os profissionais, que essa é uma questão muito presente na vida das pessoas...
Normalmente quem está dentro do aquário questiona-o e visualiza o oceano.
Quem está do lado de fora por vezes angustia-se com a insegurança e pensa no aquário como solução...
E então? O aquário com a sua segurança (?) e conforto ou o oceano com tamanho risco e tamanha liberdade?
A felicidade não está nesta ou naquela opção, depende da natureza de cada um, mas para dar vazão à reflexão acima, considerando que a alternativa escolhida seja deixar o aquário e navegar nas ondas do oceano, vamos seguir com a provocação.
Qual seria a saída para essa mudança? A imagem da construção de uma ponte parece-me a ideal, associada a alguns passos que chamarei de os “10 passos do Aquário para o Oceano”. 
  1. O Autoconhecimento – isso é antigo é socrático, mas é o primeiro passo para gerar a mudança – ampliar a consciência sobre si mesmo. Não dá para acertar o seu relógio pelo do outro... Ainda na imagem do peixe e do aquário, é preciso saber se a sua natureza é de “água doce ou salgada”, rio e mar são diferentes.. 
  2. Comunique-se – é importante ter humildade e conversar com outros que já estão navegando nesse oceano há mais tempo. Saber das dores e delícias é poder conectar-se com esse novo mundo, sabendo, entretanto, que cada experiência é única... 
  3. Cuidado com o emocional – Acompanhei decisões de mudanças, movidas pelo emocional (“estou de saco cheio”, “não aguento mais isso”), mobilizarem decisões que muito frequentemente levaram ao arrependimento, justamente pela falta de planejamento da decisão. No caso do primeiro questionamento, o peixe literalmente estaria “pulando do aquário”, já que num movimento brusco (emocional) decidiu sair, mas... 
  4. Atitude Proativa – O exemplo do sapo cabe bem aqui. Se um sapo for jogado numa panela fervendo ele vai pular. Se for colocado na panela com água fria e a água for esquentando aos poucos, ele vai ser cozido sem perceber... E assim acontece nas empresas... Será que isso vai atingir apenas o outro? Se eu “ficar quieto” a onda passará? Passará ou me levará junto? 
  5. Ancorado no Propósito (espiritualidade) – Passa pelo sonho, ancore-se no propósito (a missão), o sentido de serviço. É ele quem vai lhe segurar em momentos de tormentas e de ressaca da maré... 
  6. Construa a ponte – É preciso negociar... Muitas vezes, com muita gente... Primeiro com você (saber do que vai precisar abrir mão, do que vai precisar abandonar – geralmente segurança, status, conforto – será que você está disposto?). Depois com os outros que estão com você (o outro só incomoda quando ainda não estamos resolvidos). Nesse caso o nosso herói, o peixe, arrebentou o aquário, considerando que passou pelas reflexões acima e negociou (sobretudo) internamente... 
  7. Busque parceiros – Ninguém consegue realizar um sonho sozinho. A interdependência é uma realidade humana (“toda pessoa sempre é a marca das lições diárias de outras tantas pessoas”). O importante é que essa busca e identificação dos parceiros esteja em acordo com o item número 1 desta lista –valores e crenças precisam estar alinhados. 
  8. Trabalhe a auto-estima e seja paciente – Quando as coisas não estiverem acontecendo como você desejava, vá fazer outra coisa (almoçar com um amigo, ir ao cinema etc), mas fique atento à ansiedade! Ninguém vai querer contratar um profissional ansioso por fechar um negócio... 
  9. Deixe uma reserva ($) – Pode ser que o mar não esteja para peixe... Em muitos momentos ela vai ser fundamental para que você não volte correndo para o aquário... Um planejamento financeiro será fundamental! 
  10. Em branco – O décimo passo vai ficar em branco. Ele é o novo, aquilo que surpreende, o inusitado. É estar aberto a novas possibilidades... Como já disse o genial Raul Seixas “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, a  ter aquela velha  opinião formada sobre tudo”... Estamos em permanente transformação (a cada dia), a cada dia novas ideias, novos pensamentos, sentimentos, novas pessoas que surgem...
Ficar aberto à magia da vida é aprender com o aquário e o oceano de oportunidades...

Antonio Luiz Amorim

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Artigo: Bons Técnicos Serão Bons Líderes? Por Antônio Amotim

“Acima de tudo(...) existe uma verdade fundamental sobre liderança: Liderança é um comportamento, não um cargo”. (Towsend e Gebhart)

Ao longo da minha carreira profissional em empresas, tive oportunidade de presenciar algo que, provavelmente você que lê esse artigo também já assistiu: Aquele excelente técnico de uma determinada área ser reconhecido pela empresa e ter como prêmio(?) a sua promoção para um cargo de Chefia, passando a Liderar(?) a sua equipe. 

E não são poucas as vezes em que a empresa acaba perdendo o técnico e o líder... Poderia se questionar se a empresa “preparou” o técnico para o cargo, se ele estava pronto, se tinha o perfil e a competência, se desejava liderar pessoas etc...

A Profa Cecília Whitaker Bergamini, cita em seu livro O Líder Eficaz que “poucas foram as organizações que se deram conta das consequências negativas que no futuro poderiam enfrentar devido ao descuido com o qual escolhiam qualquer pessoa para postos que requeriam a competência de um líder. Julgava-se nesse caso que uma dose de bom senso poderia garantir o sucesso em comandar pessoas”. 

E as citadas “consequências negativas” não são poucas... Além do resultado insatisfatório, líderes despreparados causam verdadeiros desastres no equilíbrio das relações dentro da equipe e nas interações com outras áreas. 

Egos inflados pelo poder do cargo saem dando “canetadas”, administrando através de circulares e normas internas, fazendo ameaças, como se estivessem tocando gado, mas como diz aquela canção “gado a gente ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente...”. 

Peter Senge em Liderança em Organizações Vivas complementa: “O preço que todos nós pagamos no final das contas é incalculável: as instituições que cambaleiam de crise em crise, a tensão constante dos membros dessas instituições, o desempenho(no máximo) medíocre a longo prazo e o consequente reforço do ponto de vista de que “as pessoas comuns” não têm poder de mudar as coisas”. 

E essa questão de que bons técnicos não necessariamente serão bons líderes é também percebida fora do âmbito das organizações, como nos mostra o esporte: alguns excelentes jogadores de futebol, verdadeiros “craques” que tentaram a carreira de treinadores acabaram desistindo. Já alguns considerados “medíocres” como jogadores, mostraram uma fantástica capacidade de liderança e tornaram-se referências como comandantes das suas equipes. Confunde-se também Liderança e Poder. A já citada Profa Cecília Bergamini, comenta: “Claro está que não existem organizações sem pessoas que detenham poder e algum tipo de autoridade formal. No entanto, isso não significa que todos aqueles que detêm poder sejam necessariamente líderes, embora a recíproca seja verdadeira. Líderes verdadeiros têm autoridade e poder, a eles são concedidos de forma especial”.

Essa concessão de “forma especial” é legitimada pela equipe, pelo seu time. O verdadeiro líder inspira mais do que ensina, os seus atos são coerentes com os seus discursos, abertura e confiança é um círculo virtuoso da relação estabelecida com a equipe. 

Chemers e Ayman ressaltam o papel ativo do seguidor na construção da eficácia do líder e propõem que “os seguidores afetam o poder de influência do líder, o estilo do seu comportamento, assim como o desempenho do próprio grupo através dos seus processos de percepção, valorização e julgamento”

Pensar em liderar sem considerar o papel ativo dos seguidores é trabalhar com uma visão de curto prazo... 

Ouvi, certa vez, de um Diretor de Empresa que “toda vez que ele arrumava a casa”, era substituído do cargo pelo Conselho das Empresas... Apenas ele, não percebia(?) que o que ele chamava de “arrumar a casa” representava na verdade uma “terra arrasada” em que só outro, com outro estilo e competência poderia conduzir. 

Em “O Líder Eficaz”, temos ainda: "O grande desafio já não é mais provar se o líder nasce líder ou se ele pode ser preparado para tanto. Para um grande número de empresas, o líder passa a ser considerado como um agente de mudança e como alguém capaz de levar seus seguidores a identificar-se com ela. O líder naturalmente seguido é aquele que prioriza sua capacidade de mostrar aquilo que as pessoas, no geral, não conseguem ver tão facilmente, e convencê-las da sua importância." 

E sabemos que a capacidade de impor pode ser atributo de qualquer um, investido de poder, mas a capacidade de convencer exige brilhantismo, conteúdo, carisma e por que não dizer simplicidade e humildade. 

Diz J.Collins que “as relações mais produtivas estão, em sua essência, nas parcerias mútuas enraizadas em uma liberdade de escolha cabida a ambas as partes de participarem somente do que for mutuamente benéfico”. 

Podemos extrair do parágrafo acima, algumas palavras que decidem a manutenção das relações, sejam elas de que naturezas forem: parceriasmútuas, liberdade de escolha, benefícios mútuos... E as essas mesmas palavras um bom líder deve estar atento. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Artigo: Gerenciando suas forças - o Método LIFO. Por Antonio Luiz Amorim


“A fraqueza do homem raramente é mais do que o uso excessivo de suas forças” 
Eric Fromm

O termo LIFO corresponde à contração de “Life Orientations”(Orientações de Vida).

Como resultado de nossas experiências de vida e aprendizado, cada um de nós desenvolve um perfil ou conjunto de orientações único e característico, como dizem os autores do livro Gerenciando suas Forças, Alan Katcher P.h.D. & Kenneth Pasternak, traduzido por Ane Araujo, Sócia-Diretora da Marcondes & Consultores Associados. 

O método LIFO evidencia o paradoxo: “A fraqueza é o uso excessivo das forças”!

  • Você já pensou que seus aparentes defeitos podem ser apenas o resultado do uso excessivo de suas competências? 
  • Já lhe ocorreu que, para aumentar seu sentimento de realização e sucesso efetivo, basta reduzir o uso de suas forças, ou seja, fazer menos? 
  • Você já imaginou como seria trabalhar em um ambiente onde todos sabem aceitar, valorizar e utilizar ao máximo as competências uns dos outros?
Algumas conclusões interessantes que o Método LIFO nos traz:

  • Seja quem você é e não lamente não ser quem você não é. A vida pode ser muito mais simples se você mostrar exatamente quem você é, ao invés de passar o dia inteiro tentando atender às expectativas dos outros sobre você. 
  • Se você despender muito tempo acusando-se pelo que não é, você vai desperdiçar uma parte preciosa da sua vida e não vai chegar ao seu destino. Ninguém é perfeito e não é possível ser todas as coisas para todas as pessoas. 
  • As pessoas podem fazer a mesma coisa de modos diferentes por diferentes razões, mas todas podem atingir resultados. É a essência da diversidade. 
  • Quanto mais você dá valor a si mesmo e ao progresso que você está fazendo nas suas relações, maior será o seu sucesso e senso de valor pessoal. 
  • Nós temos o poder de modificar ou ajustar a forma como nos comportamos. Você não precisa necessariamente mudar quem você é, mas pode aprender a gerenciar melhor as forças que já possui.
Desde pequenos, aprendemos a famosa “Regra de Ouro” das relações: Trate os outros como você gostaria de ser tratado. A tendência é darmos os presentes que gostaríamos de receber. Sem desmerecer este importante preceito, o método LIFO recria a fórmula, dizendo: “Trate os outros como eles gostariam de ser tratados”. Veja como faz a diferença dar o presente que o outro gostará de receber...
Para ser efetivo, você deve conhecer os outros – compreender suas necessidades, preocupações, percepções e valores – e agir de acordo com este conhecimento.


UMA INTRODUÇÃO AOS ESTILOS LIFO

Existe algo de especial em você – seu jeito diferente de sentir e pensar, seu modo de falar, seus hábitos, suas experiências singulares – algo que marca sua identidade. É tão importante gostar de si mesmo e, ao mesmo tempo, valorizar os outros, mesmo aqueles que fazem coisas diferentes ou pensam diferente. Aliás, quanto mais eu me valorizo mais eu aprecio as qualidades dos outros.
O método LIFO apresenta quatro principais orientações de vida, ou estilos, que visam atender às necessidades básicas que todos nós experimentamos na vida em diferentes graus:

  • Ser útil, contribuindo e fazendo diferença no ambiente.
  • Gerar resultados, sendo competente e produtivo. 
  • Proteger nossas conquistas, minimizando prejuízos e perdas. 
  • Desfrutar do convívio, criar um ambiente de harmonia e aceitação social.

Pense nisto. Cada uma de nossas atitudes de alguma forma cai dentro dessas necessidades pessoais, muito humanas. Os quatro estilos LIFO podem ser chamados de “As quatro janelas para o mundo”, pois oferecem visões diferentes da realidade. Todos nós usamos todas as orientações, embora tenhamos as nossas preferências. Veja o detalhamento destas orientações abaixo. 

Estilos LIFO                                   Motivado por...

Apoiando e Dando                              Excelência

Controlando e Tomando                   Ação

Mantendo e Retendo                         Razão

Adaptando e Barganhando               Harmonia


1)  APOIANDO E DANDO –  Foco: Excelência     
Meta: Provar seu Valor 
Forças: ser idealista, leal, cooperativo, receptivo, modesto, sensível, confiável. 
Excessos: perfeccionista, estóico, ingênuo, utópico, auto-anulador, teimoso. 

2)  CONTROLANDO E TOMANDO –  Foco: Ação    
Meta: ser competente e obter resultados. 
Forças: diretivo, potente, rápido para agir, competitivo, confiante, assume riscos.  
Excessos: dominador, agressivo, impulsivo, só competitivo, arrogante. 

3) MANTENDO E RETENDO – Foco: Razão 
Meta: estar seguro e reduzir riscos. 
Forças: obstinado, analítico, prático, perseverante, econômico, metódico, factual. 
Excessos: burocrático, pedante, sem imaginação, detalhista, retraído, só mental. 

4) ADAPTANDO E BARGANHANDO – Foco: Harmonia 
Meta: conhecer as pessoas e dar-se bem com elas. 
Forças: flexível, adaptável, diplomático, inspirador, sociável, experimental, animado. 
Excessos: inconsistente, insincero, astucioso, manipulador, frívolo, “animado”. 

Quando nossas forças são usadas em excesso, elas podem ser contraproducentes; elas se tornam, de fato, as nossas fraquezas. E então? Você conseguiu se encontrar em algum deles? Nas forças e nos excessos (fraquezas)? 

Conceitos chave do desenvolvimento baseado em forças:

  • Compreensão e Aceitação. 
  • Cada um tem uma combinação de estilos. 
  • Abordagem universal.
É importante ressaltar que nesta combinação de estilos, você terá o predominante e aquele que será o seu backup, aquele que você lança mão como segunda opção. 
Em condições desfavoráveis ou de estresse você poderá ter outros estilos, que não aqueles que predominam em condições favoráveis.

Por exemplo: Você pode ter o estilo Apoiando e Dando como preferido em condições favoráveis, tendo como backup o Adaptando e Barganhando. Assim, você pode ser percebido como alguém que busca excelência e harmonia. Sob condições desfavoráveis ou de estresse, você pode buscar assumir o comando e estar seguro e, então, adotar os estilo Tomando e Controlando com backup Mantendo e Retendo. Para quem convive com você pode soar estranho, dar a sensação que não lhe conhece... 

APLICAÇÕES LIFO 
Em última análise, o Método LIFO é uma poderosa abordagem para o autoconhecimento, para a gestão de forças e para a melhoria do desempenho. Sua aplicação pode ser expandida para uma ampla variedade de situações, tanto no seu trabalho quanto na sua vida pessoal, como por exemplo:

  • Habilidades de Liderança 
  • Gestão do Tempo 
  • Capacidade de aprendizagem melhorada 
  • Habilidades de comunicação 
  • Seleção & Desenvolvimento da Equipe 
  • Habilidades de Venda 
  • Habilidades de Negociação 
  • Gestão do Stress 
  • Gestão do Conflito 
  • Desenvolvimento de Carreira
No Brasil a Marcondes & Consultores Associados é o representante oficial da Metodologia LIFO, sob a forma de workshops, instrumentos e serviços.



Antonio Luiz Amorim

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